Em 2025 viajei para Santiago com uma missão: visitar o Estádio Nacional do Chile e retratar por meio da fotografia o sentimento do lugar onde centenas de pessoas foram presas e torturadas durante a ditadura de Pinochet.
Lá, conheci Patrício Sandoval, responsável por guiar as visitas ao estádio. Mas, não era só isso. Ele revelou que foi um dos presos e torturados naquele período sombrio para a democracia chilena.
Com a fala lenta e o olhar distante como quem vasculha a memória em busca de cenas que, infelizmente, jamais serão esquecidas, Sandoval me contou detalhes marcantes: o local onde dormia com cerca de 600 pessoas, enfrentando o frio intenso, e apontou, nas fotos penduradas na parede, alguns companheiros que ainda estão vivos, além de outros que, tristemente, já se foram.
Perguntei a ele como era, dia após dia, caminhar por aquele lugar e reviver memórias que o tempo não apaga. Com a serenidade de quem transformou dor em propósito, respondeu que é preciso lembrar para que o povo jamais esqueça o que aconteceu, e para que nunca mais se repita. Em seguida, saiu com as chaves dos cadeados que um dia o mantiveram trancado, sem saber o que seria do seu futuro e das outras centenas de pessoas.