No dia 20 de novembro de 2024 desembarquei em Buenos Aires pra fotografar uma coisa só: o jeito que os argentinos ainda tratam Maradona. Não fui atrás de futebol — fui atrás de fé.
Não demorou nada pra eu entender o tamanho daquilo. Tinha mural dele em quase todo quarteirão, foto colada em vitrine de loja, bandeira pendurada em sacada e até gente com o 10 tatuado. Conversei com um motorista de uber que falava de Diego como se ele fosse parente, com bronca e carinho ao mesmo tempo, do jeito que se fala de alguém da família que aprontou e foi perdoado.
Foi nessas conversas que entendi que o negócio nunca foi só sobre os gols. Tem orgulho ali, tem identidade, tem uma cidade que decidiu guardar aquele homem do jeito que ele foi — com os vícios, os escândalos, os retornos, tudo junto. Ninguém ali parecia interessado em apagar as partes ruins pra deixar ele bonito. Era o contrário: pareciam gostar dele justamente por ele ter sido tão humano e tão errado quanto qualquer um.
Voltei pensando bastante nisso. Talvez seja mais fácil amar alguém imperfeito de verdade do que amar um herói de propaganda. Como ele mesmo dizia: la pelota no se mancha.
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