A Praça Sete é o centro de Belo Horizonte, mas não do jeito que aparece em cartão postal. É ali que a cidade mostra a cara de verdade: o vendedor ambulante negociando troco, alguém apressado quase trombando com outra pessoa, a roda de pessoas jogando dama, um casal sentado num banco sem pressa de ir pra lugar nenhum. Gente de todo tipo, cruzando o mesmo pedaço de chão, cada um carregando o próprio dia nas costas.
A praça também é onde Belo Horizonte aparece quando tem algo a dizer. Protesto, título de campeão, virada de ano, qualquer motivo que junte gente parece sempre acabar ali. É como se a cidade usasse aquele lugar pra se registrar em tempo real, sem filtro.
Pelo menos duas vezes por mês eu levo minha câmera pra lá, chova ou faça sol. Não vou só pra fotografar, mas também vou pra ficar um tempo só olhando. A pé, de moto, de ônibus, todo mundo passando pelo mesmo lugar por motivos completamente diferentes. É nesse vai e vem que encontro os personagens que mais me interessam: gente comum que, sem saber, tá contando a história real da cidade.